quinta-feira, 16 de abril de 2015

The never ending story - Parte II

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No capítulo anterior:

      Vida própria, galinha, desengalinhar, fim-se-semana, bla bla bla viagem, órgãos, não mexo uma palha para fazer o jantar, depois do jantar veio a loucura.


 ------ Apresentando o último capítulo -------


Foi a loucura, digo-vos!

Arrumados os pratos - continuei sentada na minha cadeira - tivemos uma noite insana de jogos de tabuleiro!

Sim, jogos de tabuleiro. E rimos até nos doer o baço.

Para que se entenda, a mensagem que recebi antes de ir, que há 4 anos seria "traz mais álcool. Muito mais álcool", foi desta feita "podes trazer um cremezinho para massagem? Estamos todos empalamados das costas".

E o que seria uma noite de excessos, confidências vergonhosas, conversas sem nexo e cheia a abarrotar de nada, deu lugar a uma noite cheia de tudo.

E divertida c'mo caraças.

E dei por mim a pensar que estávamos todos na mesma página. Senão na mesma página, pelo menos no mesmo capítulo. E nenhum destes meus amigos é casado, muito menos pai ou mãe.

E percebi que, se eu tinha mudado consideravelmente nos últimos tempos, a maternidade não pode ser o bode expiatório da coisa. Pesa imenso é um facto, mas não está só.

A verdade é que evoluímos, mudamos, repensamos prioridades e posturas, objetivos e ambições. Acumulamos experiências, passamos pelo tempo. 

Pronto, estou para aqui a engonhar e a evitar admitir como um vampiro evita o bronze que não vem em spray, mas vou dizê-lo: envelhecemos.

Inevitavelmente. É isso.

E não é o fim do mundo.

Cumprida que está a reflexão lapalissiana, rumemos adiante.

Descobri entretanto que não tinha rede no telemóvel. O pânico! E se precisam de mim e se acontece alguma coisa e se não sabem onde está aquela coisa importantíssima que nunca foi necessária até ao dia de hoje?

Junte-se uma cama desdobrável tenebrosa - massagem para quê? - que rangia de tal forma que me acordou cada vez que me virei durante a noite e pode dizer-se que não tive as mais descansadas cinco horas de sono de sempre.

Acordei cedo - apesar de estar há dois meses sem me calar sobre as saudades que tinha de dormir até tarde - porque o cérebro esqueceu-se de desligar.

E quando abri as portadas, vi isto. Só isto. Nada mais à volta, senão serra e mar.




E depois de respirar bem fundo e sorver, liguei ao fafá.

Estavam na Fnac a ouvir uma "senhoia" (Maria do Carmo)  histérica (papá) contar uma estória.

Porra, queria ser eu a levá-la.

Estava felicíssima e esteve super bem. Respirei de alívio.

Só perguntou por mim uma vez. Parei de respirar.

Como assim, estás a dizer isso para não me preocupar? Que não, que era a mais pura da verdade. Mas isso é tão estranho, não achas? Mas que foi assim sem tirar nem pôr.

Peguei no saco de papel, despedi-me com beijos, abraços e saudades e fiz-me à estrada.

O rádio já funcionava. A música da engrenagem do meu cérebro já é suficiente, obrigada.

Não deixava de ser estranho. E fui pensando nisso enquanto me tentava convencer que o que me intrigava era a análise da reação - dela - e não a quantidade de tristeza - minha.

Quando cheguei a casa fui recebida com beijos e  abraços que sofregamente colhi, mas que de alguma forma perniciosa me souberam a pouco.

Era como se nada se tivesse passado de diferente. Business as usual.

E dramática até à medula, passei dois dias a visitar uma encantadora espiral descendente.

Se era indiferente a minha ausência na área da minha vida a que mais me dedico de corpo e alma é porque ali eu era irrelevante. Porque falho. Porque também falho sistematicamente nos outros campos. Porque falho sempre em tudo. Porque sempre falhei em tudo e sempre falharei.

E é assim sempre que opto por colocar aqueles óculos que tenho no armário ao lado dos ray ban. Os óculos da estupidez melodramática obtusa.

Dei-me um par de estaladas imaginárias que me acertaram na mona em cheio, de tal forma que arrancaram os óculos.

E percebi que tinha de me deixar de tontices, para não dizer de merdas.

Conclui que se o mundo da CLSM não desabou porque a mamã não estava, é porque eu estava a fazer alguma coisa bem. Que estava a criar a criança forte e independente que tanto quero criar.

E fiquei tristemente feliz.



Dias depois, voltei a ausentar-me por duas horas.

Que hoje foi terrível, perguntou por ti imensas vezes.

E fiquei felizmente triste.

Olá, espiral! Há tanto tempo...



Mas quem tem paciência?!

Fiquemo-nos pela paisagem





Beijo da Patinha *




terça-feira, 14 de abril de 2015

The never ending story


Lembram-se de eu estar-me há uns dias a lamentar-me por aqui que precisava de, basicamente, cortar o cordão umbilical?

Fiquei a pensar no que tinha escrito e percebi que se calhar tinha sido um bocadinho exagerada. Passei a ideia de que não tenho vida própria, mas até tenho. A sério que tenho! 

Só que geralmente essa vida acontece depois das 21 horas. Só coincidentemente a hora de ir para a cama da CLSM...

Seja como for, bateu-me à porta uma ocasião perfeita para desengalinhar.

Um amigo meu fez anos e tinha combinado ir com uma grupeta engraçada, no passado fim-de-semana, para uma casa arrendada para as celebrações.

Eu estava há um mês para confirmar se ia. 

Que claro que vou. Mas é que nem pensar! Mas tenho de ir.

Para testar as águas, na terça-feira anterior ao fim-de-semana, foi o papá a dar o jantar - esta parte é sempre ele que faz - a dar banho só - geralmente é um bocadinho a cada - e a deitar - geralmente sou eu. 

Para nem estar por perto, saí e fui fazer uma massagem. As minhas hérnias discais e protusões cervicais são viciadas em massagem. Eu não, claro.

E estão a ver como tenho vida própria?!

Claro que expliquei tudo à Maria do Carmo antes de sair. Para onde ia, que o papá iria assumir a ponte à Capitão Jean-Luc Picard (nunca gostei do Kirk) e que só nos víamos no dia seguinte.

Ela perguntou por mim à hora de vestir o pijama, que é a hora da nossas palhaçadas por excelência. Nada mais a reportar. Tudo sobre rodas, ou melhor, a velocidade warp. Sim, sou uma trekkie. Assumo.

Fiquei confiante com o resultado da experiência.

Já tinha decidido que, se fosse ter com os meus amigos, só iria obviamente por uma noite. Que isto é um passinho de cada vez, se faz favor.

E no sábado ao final da tarde, depois de muita insistência do Super Gato (um dia explico a razão do nome) e da minha implacável consciência, lá me decidi a ir. Não sem antes confirmar se havia jantar para mim, claro. Sim, que isto sem filha e sem comida então é que era curto circuito na certa.

Joguei umas coisas para um saco de papel - a pessoa que só viajava com pelo menos duas malas para meio dia e sempre a combinar com a roupa - enchi-me de coragem e depois de protelar um bocadinho a ver se ninguém percebia, lá fui eu despedir-me da CLSM.

        - Adeus mamã! 

Deu-me um abraço, um beijo e foi toda contente brincar com o papá.

OK. 

So far so good.

Depois de uma viagem interminável, em que o rádio decidiu avariar a meio e tive de ouvir música à parola, que é como quem diz no telemóvel, com três telefonemas a certificar-me que já não tinha passado o sítio, a porcaria do sítio e o raio que o parta do sítio, lá cheguei onde Judas perdeu as botas.

Tudo escuro que nem breu. Nem vivalma.

      - Já cheguei. 

      - Espera aí que já te vou buscar. Vens atrás do meu carro.

Ainda não era ali. 

Depois de mais 10 minutos de estradas do cricacá, onde mal passava uma agulha, parámos o carro no meio do nada.

Era ali. Era onde Judas foi morrer.

Se não conhecesse os meus amigos há anos sem fim, teria fugido como diabo da cruz, agarrando todos os meus ameaçados órgãos à beira do tráfico.

Entrámos em casa e foi como se sempre estivesse estado ali. Como se também tivesse rido daquela piada ontem. Como se tivesse visto o que o que ele fez ao almoço. Com os verdadeiros amigos é assim. 

Fizeram um jantar maravilhoso enquanto eu conversava com uma cerveja na mão e um cigarro na outra. (Foi só por essa noite, já voltei ao estado smoke free, podem parar de me gritar, sim?)

Eu perguntei umas duas vezes se precisavam de ajuda e eles conhecem-me o suficiente para saber que não tencionava mexer nem um pêlo da sobrancelha.

Nem me responderam.

Depois do jantar, bem, depois do jantar foi a loucura!



                               ---------- Continua no próximo post -----------------


(Não é o máximo esta ideia? É porque já passa da uma da manhã (hey!) e tenho de ir dar voltas na cama durante duas horas até conseguir adormecer!

Entretanto, deixo-vos com o que vi no outro dia de manhã, lá onde Judas foi morrer. E que bem que ele escolheu...




Beijo da Patinha *

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Pesadelos!


Sim, pesadelos. 

À antiga. A preto e branco. Com três acordes horripilantes como banda sonora. 

E não, a CLSM ainda não entrou na fase dos pesadelos e de acordar em pânico descabelada. 

A descabelada sou mesmo eu. A paniquenta panicosa sou eu.

Eu explico. Há uns dias, nas minhas deambulações internéticas, deparei-me com uma página de facebook que me deu uma dor no cérebro, apanhou-me as aduelas e arrepiou-me o útero.

Descobri isto: 


Pois. 

E o que é isto? Isto não, esta. 

Esta é a Filipa, minha homónima ainda para mais. 

É uma bebé de sonho, das muitas que lá estão na página de facebook. E é tão mau, tão mau que fiquei assim entre o horrorizada e o fascinada, ou horrorosamente fascinada.

E quantos gostos tem esta página portuguesa? São 14.454. Sim, minha gente, 14.454 pessoas gostam disto.

E fui de foto em foto a tentar perceber o que raio era aquilo. Depois encontrei o termo "reborn baby". Googlei, claro.

Afinal estes bebés bonecos, bonecos bebés, não são algo que uma senhora chamada Alzira ou Darlene inventou e faz na cave da sua casa em Oliveira de Azeméis. 

Não, isto é um fenómeno. Há formação para ser artesão de "reborn babies", há os mundialmente conceituados e os aprendizes, há milhões de aficionados, há sites, blogs, chats, fóruns e um par de botas. O preço dos bebés bonecos - não sei mesmo o que lhes chamar - pode variar entre os 100€ e os 10.000€. Sim, leram bem.

E fui vendo mais e mais:















Absolutamente arrepiante, eu sei! 

Mas depois também fui lendo sobre todo o trabalho e perícia que implica a conceção - sem qualquer ironia - de um bebé destes. 

E comecei a tentar perceber qual poderia ser a motivação de uma pessoa que os compra. 

Há dos que compram só porque gostam de bonecos. Há quem até faça coleção. E só conseguia imaginar uma senhora rodeada de gatos e bonecos vestido de renda branca integral, com touquinhas,  todos sentados à mesa a tomar chá.

Há dos que compram porque sempre quiseram ter filhos e não conseguiram.

Há dos que, perante a maior dor do mundo, a de perder um filho, encontram aqui um mecanismo de escape, encomendando um "bebé igual ao seu".

Vi bonecos que têm vida de verdadeiro bebé, com quarto todo arranjado, com cama e armário cheio de vestidos, com cadeira de papa, com carrinho e bonecos (!) para brincar.

E fui imaginando todos os sonhos perdidos, as derrotas, as deceções, as dores lancinantes que não estariam por detrás desta "compra", que não seria mais que uma forma de preencher de um grande vazio.

E senti-me tão abençoada. E triste, muito triste.

Mas que nem mosca para mel não conseguia parar de ver.

Depois descobri que há dos que são simplesmente loucos. Fechei tudo num instante.








Esta noite não vou ser a única descabelada a ouvir aqueles três acordes, pois não?.


Beijo da Patinha *
   

quinta-feira, 9 de abril de 2015

E para quando é isso mesmo?!

Lembro-me de, há uns quatro anos, ainda com a Maria do Carmo longe de ser feita, estar com um grupo de amigos  numa discoteca - será que ainda se diz discoteca, ou já estarei tão desatualizada como quem dizia boîte há 15 anos? - e encontrar uma amiga que tinha sido mãe há uma semana. Dizia-me ela que precisou de sair para arejar e que a bebé tinha ficado com a avó. Que eu iria perceber quando fosse mãe.

Escusado será dizer que, mal ela virou costas, foi um descambar de "que raio de mãe'", "deve gostar muito da filha" e "queria era vir laurear a pevide". E eu defendi-a, claro. Que ninguém sabia como era, por isso não poderia falar.  

Lembro-me de, ainda grávida, estar a falar com uma amiga que tinha sido mãe há dois meses e que me contava que o leite tinha secado ao fim de um mês. Mas que tinha as suas vantagens, porque no mesmo dia, tinha deixado o filho com o pai, devidamente munido de biberões e leite em pó, e tinha passado a tarde no cabeleireiro, a fazer tratamento completo, dos pés à cabeça e com tudo o que tinha direito. Que precisava de voltar a sentir-se bonita. Que eu iria perceber quando fosse mãe.

Lembro-me de ser mãe há meia dúzia de meses e encontrar uma amiga que tinha um filho de 10 meses. Estava ela ofegante após uma vigorosa caminhada. Perguntei-lhe, claro, como estava o rebento. Estava ótimo e tinha ficado com a tia. Que ela precisava de voltar a fazer alguma coisa por ela. Que eu  iria perceber quando passasse a novidade de ser mãe.

Pois, o problema é que ainda não percebi nada disso. Parece que ainda não me caiu a ficha.

Tirando quando estou a trabalhar - e passei a trabalhar só meio tempo -, quando ela está a dormir ou ao domingo, em que eu durmo um bocadinho de manhã - sob pena de virar um Godzilla demolidor durante a semana -, estou sempre com a CLSM. Ou pelo menos estou perto dela enquanto ela está com outras pessoas ou a fazer as coisas dela e eu as minhas.

E então, quando é que afinal vou perceber?! Alguém me diz?! 

É porque qualquer dia saio à noite e danço a Macarena achando-me o máximo, tenho cabelo - já quase todo branco - até ao rabo e nem me consigo baixar de tão emperrada.

E sei que tenho de aligeirar a coisa. E critico-me.

Mas se eu não critiquei as minhas amigas, todos elas mães extremosas e dedicadas, mas mais desprendidas que eu, porque é que me critico tanto a mim?

Porque sei que estou errada. 

Qualquer dia tenho de mudar. Qualquer dia...


Beijo da Patinha *




P.S. - Depois de reler o texto, apercebi-me que todas as minhas amigas quase que se tinham justificado por não estarem com os filhos, ou porque precisavam de arejar ou por qualquer outra coisa. Por momentos tinha-me esquecido que, quando nasce uma mãe, nasce uma culpa sem fim. Até pelo vento que passa...

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Alto lá e pára o baile!!!

A minha forma de exercer a parentalidade não é para todos!

Ia escrever que não é nem pior nem melhor que qualquer outra, mas é mentira. Sempre que alguém diz isso, mente. Ou é acéfalo...

Se penso, pesquiso, reflito e estudo sobre qual a melhor forma de fazer as coisas e, de entre várias opções, decido-me por uma em específico, escolho-a e trilho aquele caminho, é necessariamente porque acredito, na minha convicção e com os dados que disponho à data, que é a melhor forma de fazer as coisas (Ai, que erudita estou eu hoje!) .

E sim, por isso, a melhor forma de ser mãe é a minha. E a minha é melhor que a dos outros.

E antes que me chamem de arrogante dos quatro costados, é preciso entender que refiro-me a isto de forma relativa.

Que me refiro a fazer (ou tentar fazer, muitas vezes) o que me parece melhor na altura, considerando as linhas gerais que perfilho e defendo.

Isto não quer dizer, obviamente, que em absoluto seja verdade. Que se venha a revelar melhor. Que seja efetivamente mais eficaz e com melhores resultados. Isso só a Deus (diz a ateia!) e ao Fado pertence.

Passado o gigantesco parêntesis e desvio do tópico, dizia eu que a minha forma de exercer a parentalidade não é para todos!

É, tal como eu, intensa, cheia, dedicada, mas também pautada por melhores e piores momentos - diria eu - e exageradamente galinha e cheia das mariquices das "teorias da moda" - diriam outros!

Seja como for, a verdade é que tento escolher poucos atalhos quando acho que são de evitar.

Impor sem explicar: Não!

Ser incoerente nas proibições e permissões porque às vezes dá jeito: Não!

Prometer algo, bom ou mau, que depois não é cumprido: Não!

Falta de tempo para dar colo: Não!

Falta de tempo para brincar, mas brincar mesmo: Não!

Televisão: Não!

Tablets: Não!

Fraldas descartáveis: Não!


Fraldas descartáveis não?! Mas pensam que sou maluca?!

Ainda grávida de 7 meses, com 300 kilos em cada perna, lá me arrastei a uma loja meia metida à hipster onde, durante 30 minutos ouvi falar das maravilhas das fraldas descartáveis.

São ecológicas.

Não me convenceu. (Posso dizer que não ligo muito a isso, ou é assim muito muito mau?)

São económicas. Numa média de 2 anos e meio de fraldas pode poupar-se até 600€. Isso é realmente muito dinheiro. Mas vendo bem, não é pago todo de uma vez. É assim às prestações, como o crédito.E assim não custa tanto. E ainda há as maravilhosas promoções das sempre beneméritas cadeias de supermercado...

Também não foi por aí.

Que são infinitamente mais confortáveis para o bebé, que a pele respira melhor e mantém-se mais saudável.

Pronto, aí vacilei. Já se sabe.

De repente imaginei-me uma earth mother, uma mãe à Jessica Alba, uma mãe de sling de algodão puro, apanhado por virgens loiras no 3.º dia de lua nova, plantado a olhar para o mar, quando a maresia está de Norte e coisa e tal.

 Parecia-me tão bem. Tão puro. Tão orgânico. Tão idílico.

Minha mãe:

     -Imaginas-te a transportar cocó na mala até chegares a casa? E  teres 10 fraldas a tresandar para lavar depois de uma noite a acordar de 3 em 3 horas?
  
   - São 2 pacotes de fraldas descartáveis para levar, se faz favor!




Beijo da Patinha *






segunda-feira, 6 de abril de 2015

Coelha da Páscoa!


Estou tão farta, tão cheia e tão saturada dos excessos da Páscoa e dos exageros dos açucares que hoje passei o dia a cenouras...



Beijo da Patinha *

Literalmente maravilhoso


Este sábado fomos pela segunda vez ao Gymboree. Uma experiência que muito tem que se lhe diga, mas que será devidamente abordada - leia-se ridicularizada - noutra ocasião.

Agora tratemos de outro assunto.

Na semana anterior tinha-me apercebido que depois de acabarem de "bincá", as mamãs e papás ofereciam aos seus rebentos bolachas, que as devoravam alegremente.

Nem me tinha passado pela cabeça levar nada para comer. 

Claro que houve uma mãe amorosa que ofereceu à Maria do Carmo uma bolacha e que levou logo a seguir com um "mais" - queria dizer esperançoso, mas tenho de dizer docemente manipulador -  da minha filha.

Para evitar isto ou, Deus nos livre, uma pilhagem de mãos pequenas pelas malas alheias, enquanto preparávamos as (inúmeras) coisas para levarmos, disse ao Super Gato, mais conhecido como meu marido:

   - Os miúdos comem todos bolachas depois, por isso é melhor levarmos também uma bolachinha!

No final da "aula", os papás e mamãs sacam das suas caixas transparentes ou coloridas, com ou sem bonecos, devidamente herméticas e convenientemente guardadas nas malas dos meninos. 

Eu começo a remexer na minha mala, onde enfio tudo a bem da desordem, e nada de caixa transparente ou colorida, com ou sem bonecos, devidamente herméticas com bolacha.

Mas como é que é possível? Eu disse-lhe que era melhor trazer uma bolachinha.

E depois encontrei.

Um pacotinho em folha de alumínio com...uma bolachinha!

Há que adorar! 



Beijo da Patinha *

domingo, 29 de março de 2015

Em modo pastel!



Esta semana foi para esquecer!!

Não sei se foi por ter passado os últimos 5 meses a 1000 km/h e por raramente ter dormido mais que 5/6 horas numa noite ou se foi por ter deixado de fumar  - faz amanhá 1 semana, viva eu! - e ter perdido o estimulante da nicotina ou do alcatrão ou do que seja, mas por alguma razão esta semana caiu-me tudo em cima e andei em modo zombie, semi-comatoso ou pastel mesmo.

Só me apetecia dormir . Por isso, quando não estava a ser mãe, a trabalhar e a ser dona de casa q.b. - e para mim, basta-me muito pouco  - estava jogada no sofá ou na cama, em vez de estar a fazer as habituais milhentas coisas que me ponho a fazer, entre as quais escrevinhar por aqui uma coisas que sinto.

Cheguei mesmo a dormir durante a sesta da CLSM, coisa que não acontecia desde que ela era muito pequenina. E não recomendo. Passo o tempo todo a sonhar que ela acordou e eu não ouvi e ela está jogada sozinha na cama, acordo imensas vezes em sobressalto e, claro, quando começo a dormir mais descansada é quando ela acorda. Fico tonta que nem um piolho...

Além do que estas sestas à tarde e soninhos à noite no sofá deram-me cabo das costas. Estou feita num 8. Num pastel em forma de 8, aliás.

Mas isso acaba hoje, em que volto ao meu normal, nem que seja à força de muitas colas zero. Já vos disse que que também tenho de deixar de beber cola zero?

Por isso, aos meus 3.000 seguidores, 70.0000 fieis e assíduos leitores e 5.0000.0000.0000 seguidores no facebook - não sei bem o número que escrevi, mas tinha de ter mais que o Ronaldo. Espero que chegue - cá vão as minhas desculpas pela com certeza mais que sentida ausência.

Eu sei que já estavam a puxar cabelos, subir paredes e a esgotar o vosso stock caseiro de Xanax, mas não se preocupem porque 

Eu estou de volta!!!

Vou só encostar-me aqui um bocadinho e descansar os olhos e já digo alguma coisa...





Beijo da Patinha *

quarta-feira, 25 de março de 2015

MILF




Quando a CLSM nasceu, um amigo que adoro mandou-me uma mensagem a dar os parabéns e dizia-me, com graça, que eu era finalmente uma MILF.

Antes de mais, MILF são as iniciais de mother I'd like to fuck. (Ainda pensei escrever f***k, mas acho tão estúpido, que vai fuck mesmo). Uma palavra usada pela primeira vez no American Pie, salvo erro, que pegou moda lá para o lado dos States e um bocadinho por todo o mundo. No fundo é uma mãe toda boazona. É isso.

E então, serei eu uma MILF?

Vejamos:

Ia eu hoje pela rua, num ó pra mim toda lampeira (expressão introduzida pelo Herman José, para além de tantas outras, como descobri neste artigo super curioso) e entretidíssima a comer um bolo.

Sim, se não posso fumar, como.

Um pouco mais à frente vejo um homem à porta de um bar.

Num só rápido olhar de soslaio percebo que, apesar da hora matutina, ele já está, digamos, menos sóbrio. E com aquele poder de todas as mulheres, muito à Robocop - mas sem capacete -, identifico o sujeito, avalio a situação e os perigos e antevejo o resultado.

E lá continuo eu a andar. Vou formosa e não segura.

Estou mais que pronta para o "não sabia que as rosas andavam", "caíste do céu? é que pareces um anjo" ou qualquer outra pérola de grau literário e criativo desse género.

Eu aproximo-me, ele olha-me de cima abaixo com intensidade e quando estou a passar, diz:

   - O que estás a comer? Tremoços?

Se eu sou uma MILF? Pois, parece que não...


Beijo da Patinha *

segunda-feira, 23 de março de 2015

Hoje deixo de fumar!



Comecei a fumar aos 16 anos.

Na altura, orgulhava-me - estupidamente, já se sabe - de ter começado a fumar tarde. Os meus amigos tinham começado aos 14  e eu não tinha sido arrastada pela pressão de grupo. Imagine-se o disparate...

E fumava cerca de 1 maço por dia, por vezes (poucas) fumava menos, outras (muitas) fumava mais. As saídas às noites então eram a desgraça. No dia a seguir era como se os meus pulmões fossem feitos de carvão... E a primeira coisa que fazia? Claro, fumava mais um cigarro!

Aos 30 anos parei. Extraí os sisos (sim, este texto está a ficar um bocadinho nojento, à falta de melhor palavra!...) e precisei de parar de fumar para que a cicatrização corresse melhor.

Armei-me de boa vontade e de pensos de nicotina e passados uns dias, quando me apercebi que sobrevivia sem matar o vício, deixei-me levar para ver até onde ia.

 Apercebi-me que a necessidade de fumar constrangia a minha liberdade e a minha autonomia.

Que era absolutamente fétido o hálito de um fumador.

Que a fortuna que gastava em tabaco era muito melhor empregue em sapatos e malas.

Deixei de fumar.

E virei a Gestapo do tabaco. Tudo que tivesse a ver com tabaco incomodava-me e não poupava críticas a ninguém. Pobre de minha mãe, fumadora inveterada, que tanto ouviu....

E sim, mesmo que o cheiro do tabaco incomode imenso quem não fume, que incomoda, obviamente que o meu fundamentalismo foi uma forma de mecanismo de compensação. O mesmo usado por virgens de 50 anos que criticam as mulheres oferecidas.

Fui entretanto aligeirando e cheguei a um equilíbrio que acho perfeito. Fumava nas férias, nas saídas à noite, em cafés com os amigos ou se fosse tomar um copo com alguém. E assim fiquei por 3 anos. Fumar por prazer - sim, porque eu gosto de fumar - mas sem os inconvenientes do vício. Maravilhoso!

Entretanto engravidei e amamentei a CLSM durante 8 meses.

E foi aí o ponto sem retorno. O não poder fumar. Mesmo.

Quando deixei de amamentar achei que conseguiria voltar ao mesmo ponto de equilíbrio, mas de 1 cigarro por dia, passei para 5, para 10 até a este ponto em que voltei a fumar 1 maço diariamente. Sim, 1 maço! São 3 kg de nicotina e alcatrão (não faço ideia se será isso, mas pareceu-me bem) e 150€ por mês. Uma loucura!

Não pode ser.

Há uns dias a CLSM estava a brincar felicíssima com os seus bonecos da Playmobil, que mergulhavam na piscina e apanhavam Sol. Depois ela pegou neles, um por um, e colocou-os na cadeira sentados.

      - O que é que eles estão a fazer, amor?

       - (A fumar) um quigarro.

Aí sabemos que temos de deixar de fumar.

Há que cortar o mal pela raiz. 

Hoje deixo de fumar.

E ponho por escrito para não haver volta a dar.

Hoje deixo de fumar.

Já me apeteceu 3 vezes parar de escrever o texto, para fumar aquele cigarro que ajuda a pensar.

Hoje deixo de fumar.

Desejem-me sorte. E força de vontade.


Beijo da Patinha *




domingo, 22 de março de 2015

A primeira vez!

Hoje tive mais uma prova contudente que sou uma mãe tão galinha, mas tão galinha, que nem sou patinha. Sou o galinheiro todo mesmo.

Eu precisava de ir à parafarmácia e, como por este lados ainda não parou de chover, fiz aquilo que odeio e fomos, eu e a CLSM, ao Centro Comercial ao fim-de-semana. Sim, é a loucura!

Logo que chegámos, ela viu um helicóptero daqueles de pôr moeda e correu para lá. Sentou-se, pediu para eu me sentar lá também e depois de lhe ter explicado que o rabo da mamã não cabia lá - hoje em dia mal cabe num helicóptero de verdade, poderia ter acrescentado - brincou um bocadinho a seco, que é como quem diz, sem moeda, e fomos embora.

Ao pé da parafarmácia tem um pequeno comboio também de brincar, que pagando o dízimo devido, dá umas voltas nos carris. Sim, estas pessoas dos centros comerciais odeiam todos os pais, está visto.

Esse comboio ela já tinha visto andar e já tinha demonstrado que queria e que estava pronta para andar. Eu é que não.

Mas hoje pensei que era o dia.

Inspirei fundo três vezes, sentei-a no dito comboio, pousei a mala no chão (já imaginava todo um cenário de terror, de lágrimas de pânico e eu descabelada a correr atrás dela. Sem mala.) e com toda a calma dei-lhe um beijinho, sorri-lhe e coloquei  moeda.

E quando o comboio começou a andar, fui ao lado dela, mas depois ele acelerou a cadência. Parecia-me que ia a 200 km/h. Juro. Sim, provavelmente ia a 10 mts/h....

Mas naquele momento em que percebi que não ia conseguir acompanhar o comboio, a não ser que corresse - o que seria lindo de se ver - aceitei que tinha de a deixar ir.

E por uns nanossegundos foi tão difícil. Tal como quando ela começou a andar e foi. Simplesmente foi.

Acho que é nestes pequenos pequenos momentos que a independência da minha outrora bebé atinge-me como um murro em cheio no nariz.

Custa. Mas enche-me de orgulho.

Vê-la ali sorridente, tranquila a dar voltinhas e a brincar com o volante da sua carruagem.

De vez em quando procurava os meus olhos para a sua dose de segurança e eu sorria-lhe. Ela retribuía.

Tão calma. Tão feliz. Tão crescida.

O comboio parou e a primeira coisa que ela diz, obviamente, é "mai".

E foi mais uma volta.

Depois expliquei-lhe que cada menino só pode andar duas vezes no comboio. É uma lei universal.

E viemos embora. Ela só falava no comboio. Eu dava-me uma palmadinha mental nas costas por não ter deixado os meus medos impedir as experiências que ela tem de ter. E ríamos.

Tão (in)significante. Tão bom.


Beijo da Patinha *


Queria imenso pôr uma foto da CLSM no combio, mas estão de tal forma tremidas que mal se vê o que quer que seja. De este dia em diante, o tremor da foto será, para sempre, atribuído ao movimento estonteante do comboio e não às minha mãos que por alguma razão não paravam de tremer,




sábado, 21 de março de 2015

Coisa linda de sua mãe #4: cheeky!!

1.

- Avó, avó!

Nada.

- Avó, avó!

Nada.

Olha para mim, espantada.

- Tá xuda?



2.

    -  Amor, quem é que deixou este lápis aqui?

    - Aoguém!

 

Beijo da Patinha *

sexta-feira, 20 de março de 2015

Os presentes do dia do Pai são ridículos!


Sim, são! 

São ridículos, pindéricos, bimbos, pires, fatela (acho que, na verdade, ninguém diz isto!) e o que mais lhes quiserem chamar. 

São isso tudo. E eu adoro-os!



Lembro-me de na escola fazer umas coisas pavorosas para assinalar a data e lá vinha eu toda presunçosa com um cinzeiro hediondo - na altura ainda não era politicamente incorreto oferecer cinzeiros - ou com um pisa-papéis que não se aguentava de pé.

Imaginava que o meu pai olharia para aquelas obras de arte e perceberia logo que eram os melhores presentes do mundo. E provavelmente achava.

Já na adolescência ia sempre à mesma lojinha "de novidades" que, curiosamente, tinha as mesmas coisas há 10 anos e passei a comprar as coisas típicas; os chaveiros, os troféus, as medalhas e tudo mais pindérico-medonho. 

E depois cresci. E tive de acabar com isso tudo. Até porque, mesmo que o meu pai me ame muito, duvido que gostasse de receber  o molde em gesso do pé de Cinderela tamanho 40 biqueira larga.

E lá tiveram de começar as coisas aborrecidas, os polos, casacos e camisas - nos tempos em que era rica e nem sabia - e as t-shirts e peúgas no pós-Sócrates.

Felizmente, por também essa razão, nasceu a Maria do Carmo. 

Voltou tudo ao princípio! Agora para o pai dela . Colour me happy!

Como no ano passado ainda estava de licença de maternidade, estava desejosa de pôr a veia criativa a funcionar e ávida por um projeto. Foi a loucura! Desde a t-shirt personalizada ao desenho feito por ela com finger paint (até hoje tenho manchas no tapete) e à chucha personalizada, passando pelas medalhas e afins e, claro, ao pack de sócia do SCP, com direito a cartão com foto, fiz tudo e um par de botas.

Já este ano fui mais comedida. Pronto, comedida à Mãe Patinha.

Voltámos a fazer "um zenho" e apercebi-me que será engraçado fazer um todos os anos. Como que um testemunho rabiscado da sua evolução artística. Sim, estou ciente que não é a ideia mais original de sempre. E pior, se ela sair aos pais, a evolução pára ali nos 6 anos de idade...

Fizemos ainda mais umas coisitas, mas há duas que adorei!

E sim, escrevi este texto todo para basicamente poder mostrá-las. 

A primeira foi um postal que amo de paixão. Foi feito pela Sofia do Amor num Envelope, com quem me cruzei acidentalmente há meia dúzia de meses numa feira de artesanato. E assim descobri uma alma verdadeiramente criativa e, melhor ainda, uma pessoa maravilhosa a quem chamo já de amiga. E eu não uso a palavra de ânimo leve.

 É verdade que o pequeno pormenor de ela me trazer, sempre que nos encontramos, uns miminhos para adoçar a boca pode ter tido alguma influência, mas que mal tem sentir também com o estômago?

A única coisa que lhe disse para o postal foi: bicicleta, Provença (já fomos muito felizes na Provença!), menina e masculino. Quase impossível, certo? Não para a Sofia! Vejam só esta perfeição:



Note-se que a bicicleta é feita em MDF recortado! O máximo! A parte boa é que ela envia para todo o país, desde postais, a caixas e convites. Espreitem mais aqui.

A outra coisa que adorei foi uma caneca que mandei fazer. 

Uaaaauuu! Uma caneca!! Que coisa inaudita. E com fotos da CLSM? Agora sim é o expoente máximo da originalidade. Para não dizer do bom gosto!

Tudo verdade. Mas é dia do Pai! E além disso tem um twist.

Descobri num site inglês umas canecas de uma só cor (perfeitas para a minha vida a preto e branco) que, sendo vertida água quente dentro, revelavam uma foto escondida, voltando depois à cor sólida. Achei maravilhoso!

Não vou referir qual o site, porque estou irritadíssima com eles! Depois de 35 minutos a escolher a foto a cores, a preto e branco, afinal a cores, não, a preto e branco. E que tal sépia? Não, a cores. Ou a preto e branco?, sim depois de tudo isto descubro que não enviam para Portugal! Não lhes vou fazer publicidade. Maldita Moonpig!

E lá fui eu, desanimada e derrotada, até ao fotógrafo da esquina para, novamente, fazer uma daquelas minhas perguntas que têm inevitavelmente como resposta um olhar "mas de que é que esta maluca está a falar?", seguido de um lacónico "não temos.

    - A caneca mágica? Claro que temos!

Fiquei boquiaberta. Pelos vistos até é normal. Pasme-se!

Normal ou não, pindérica ou original, acho o máximo! Ou top, como está agora em voga. Palavrinha bem tonta...

Cá está o processo (como sempre pessimamente fotografado):




Giro, não? 

Mas do que o papá gostou mesmo mesmo foi do abraço e colinho de baboseira de 20 minutos quando chegou a casa. 

Esse é que foi o verdadeiro presente. 

Que coisa boa que também me derreteu!

Para o ano só leva o desenho.

Beijo da Patinha *


P.S. - Eu paguei por tudo. Não há cá publicidade camuflada! Bem, só a mim! :)



quinta-feira, 19 de março de 2015

Do pai: inevitavelmente!


Tenho em casa os melhores pais do mundo.

Tenho.

Do pai da minha filha já falei uma e outra vez e repito vezes sem conta que é maravilhoso.

O amor com que olha para ela, todos os dias, o carinho ao lidar com ela, a pura vontade de estar sempre e a felicidade estampada no rosto quando chega a casa  - direto do trabalho para não perder tempo - são o melhor presente que alguma vez ele lhe dará.

Infelizmente penso que ele não tem bem noção disso. Mas terá!

Quando a CLSM passar a ser menina do papá - que por mais que eu tente esquecer, vai acontecer - e só o papá é que sabe, só quero ir com o papá e o papá é que disse, ele vai perceber bem que as fundações que está a criar agora vão ser a base de uma relação absolutamente especial, de amizade, partilha e cumplicidade.

Mas hoje queria falar um bocadinho do MEU PAI.

Acho que ainda não falei dele por estes lados. E é uma injustiça.

O meu pai não é um pai moderno. Não como o da minha filha.

Não me mudou uma fralda que fosse. Nunca me deu um biberão. Não lavava as roupas com cocó. Não se sentava no chão a brincar comigo. Não me fez tranças nem escolheu a roupa para o dia seguinte.

O meu pai um dia esqueceu-se de mim na escola.

Um dia, quando o meu pai me ia levar ao colégio, disse-lhe que me tinha esquecido de vestir cuecas. Eu usava saia curta às pregas como parte da farda. Ele não voltou para trás, porque achou que não era importante.

O meu pai não queria saber dos meus namoricos.

Estas são as estórias repetidas vezes e vezes sem conta à volta da mesa nos jantares de Natal e Páscoa, num reportório já mais que esgotado.

Mas há depois todas as outras estórias.

O meu pai dava-me bolos de chocolate, quando a minha mãe achava que eu precisava de fazer dieta (e precisava). Era o nosso segredo.

O meu pai queria saber tudo sobre as minhas amizades.

O meu pai saía de casa a que horas fosse, com um sorriso nos lábios, para ir buscar o que quer que fosse que eu precisasse. Ainda o faz.

O meu pai levantava-se uma hora mais cedo para me ir pôr ao Liceu, para a menina não ir de autocarro.

O meu pai ia-me buscar às discotecas a qualquer hora que eu ligasse.

O meu pai olhava para mim, quando me vestia com uma micro-saia, que tinha tanto tecido como um cinto, e com um sorriso cheio de orgulho dizia-me que estava bonita.

O meu pai nunca me fez sentir mulher. Nunca me fez sentir menos ou mais por isso. Fez-me sentir pessoa.

O meu pai ensinou-me a ser educada, simpática e a respeitar toda a gente independentemente de quem seja.

O meu pai recebe em casa os meus amigos gays como meus e seus amigos. Não como gays.

O meu pai brinca com a minha filha no chão.

O meu pai sempre me fez sentir segura, importante, com um contributo a dar. Nunca me tratou como uma menina a quem é explicado que os adultos estão a falar.

O meu pai dá-me um beijo quando chega e um beijo quando sai. Abraça-me muito,

O meu pai sempre me fez sentir respeitada e amada. Também por causa dele nunca aceitei menos que amor e respeito nas minhas relações.

O meu pai faz-me e faz-me todos os dias sentir especial.

O meu pai é o melhor pai do mundo.

Não está aberto a discussão.

Beijo da Patinha *




Além disso, o meu pai, mesmo aos 60 anos, não é nada de se deitar fora... ;)



terça-feira, 17 de março de 2015

O fafá!


Não sei porque carga de água mas, por vezes, a CLSM quando quer chamar o pai, chama-lhe fafá. Fafáaaaaaa!...

E hoje vou-vos contar uma história do fafá. 

Há uns largos meses decidi(mos) sair para almoçar e dar um passeio. A mãe patinha, o pai galinha e a cria koala. 

Levei as coisas habituais: o almoço, as colheres, o babete, os guardanapos, as fraldas, o creme, as toalhitas, o protetor solar, uma manta, os documentos  - não vá a piquena precisar de sair do país nesse preciso momento - a água e a imprescindível Daisy, peluche de profissão e eterno amor do meu amor de hobby..

Exagerada?

Talvez. Mas aquela coisa nórdica de transportar um bebé no sling à frente e uma mochila atrás com tudo para 1 semana é, para mim, mais difícil de perceber do que comprar malas Carolina Herrera na feira de Carcavelos.

Mas, não contente, levei ainda uma roupa suplente. E como o tempo estava incerto, levei um casaco quente, um casaco intermédio e um casaco fresco, um chapéu para proteger do Sol e um chapéu para o frio. 

Antes do almoço, a CLSM estava irritadiça e, como não era comum (felizmente continua a não ser), ficávamos sempre um bocadinho ansiosos, tanto mais que ela, na altura, ainda mal falava. Nesses dias eu achava sempre que eram dentes a nascer e o papá achava sempre que eram os sapatos que estariam a magoar. Tenho a distinta convicção que ele, numa outra vida, foi gueixa.

E então andávamos nas eternas e desesperantes suposições típicas de papás de bebés "não falantes" . Eu a lhe dar nos dentes e ele a lhe dar nos sapatos.

Ele começa a vasculhar a mala - quase de viagem - que eu tinha levado para um restaurante a 30 minutos de casa. Virou e trambolhou  o almoço, as colheres, o babete, os guardanapos, as fraldas, o creme, as toalhitas, o protetor solar, a manta, os documentos, a Daisy, a roupa suplente, o casaco quente, o casaco intermédio e o casaco fresco, o chapéu para proteger do Sol e o chapéu para o frio. 

Desanimado, levanta os olhos e pergunta:

      - Trouxemos (sublinhe-se o plural) uns sapatos suplentes?

Ah, seu.... fafá!

CLSM e o seu mais-que-tudo, nesse dia, depois do almoço. Já sem dores nos dentes...ou nos pés!
A ver era mesmo fome!
Ai, perna gorda linda da mãe!


Beijo da Patinha *