quinta-feira, 19 de março de 2015

Do pai: inevitavelmente!


Tenho em casa os melhores pais do mundo.

Tenho.

Do pai da minha filha já falei uma e outra vez e repito vezes sem conta que é maravilhoso.

O amor com que olha para ela, todos os dias, o carinho ao lidar com ela, a pura vontade de estar sempre e a felicidade estampada no rosto quando chega a casa  - direito do trabalho para não perder tempo - são o melhor presente que alguma vez ele lhe dará.

Infelizmente penso que ele não tem bem noção disso. Mas terá!

Quando a CLSM passar a ser menina do papá - que por mais que eu tente esquecer, vai acontecer - e só o papá é que sabe, só quero ir com o papá e o papá é que disse, ele vai perceber bem que as fundações que está a criar agora vão ser a base de uma relação absolutamente especial, de amizade, partilha e cumplicidade.

Mas hoje queria falar um bocadinho do MEU PAI.

Acho que ainda não falei dele por estes lados. E é uma injustiça.

O meu pai não é um pai moderno. Não como o da minha filha.

Não me mudou uma fralda que fosse. Nunca me deu um biberão. Não lavava as roupas com cocó. Não se sentava no chão a brincar comigo. Não me fez tranças nem escolheu a roupa para o dia seguinte.

O meu pai um dia esqueceu-se de mim na escola.

Um dia, quando o meu pai me ia levar ao colégio, disse-lhe que me tinha esquecido de vestir cuecas. Eu usava saia curta às pregas como parte da farda. Ele não voltou para trás, porque achou que não era importante.

O meu pai não queria saber dos meus namoricos.

Estas são as estórias repetidas vezes e vezes sem conta à volta da mesa nos jantares de Natal e Páscoa, num reportório já mais que esgotado.

Mas há depois todas as outras estórias.

O meu pai dava-me bolos de chocolate, quando a minha mãe achava que eu precisava de fazer dieta (e precisava). Era o nosso segredo,

O meu pai queria saber tudo sobre as minhas amizades.

O meu pai saía de casa a que horas fosse, com um sorriso nos lábios, para ir buscar o que quer que fosse que eu precisasse. Ainda o faz.

O meu pai levantava-se uma hora mais cedo para me ir pôr ao Liceu, para a menina não ir de autocarro.

O meu pai ia-me buscar às discotecas a qualquer hora que eu ligasse.

O meu pai olhava para mim, quando me vestia com uma micro-saia, que tinha tanto tecido como um cinto, e com um sorriso cheio de orgulho dizia-me que estava bonita.

O meu pai nunca me fez sentir mulher. Nunca me fez sentir menos ou mais por isso. Fez-me sentir pessoa.

O meu pai ensinou-me a ser educada, simpática e a respeitar toda a gente independentemente de quem seja.

O meu pai recebe em casa os meus amigos gays como meus e seus amigos. Não como gays.

O meu pai brinca com a minha filha no chão.

O meu pai sempre me fez sentir segura, importante, com um contributo a dar. Nunca me tratou como uma menina a quem é explicado que os adultos estão a falar.

O meu pai dá-me um beijo quando chega e um beijo quando sai. Abraça-me muito,

O meu pai sempre me fez sentir respeitada e amada. Também por causa dele nunca aceitei menos que amor e respeito nas minhas relações.

O meu pai faz-me e faz-me todos os dias sentir especial.

O meu pai é o melhor pai do mundo.

Não está aberto a discussão.

Beijo da Patinha *




Além disso, o meu pai, mesmo aos 60 anos, não é nada de se deitar fora... ;)



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