terça-feira, 10 de março de 2015

Queimámos os soutiens, agora queimemos os saltos!!

A eterna boneca Barbie declarou que ontem (estou sempre atrasada à Coelho Branco) foi o dia nacional sem saltos!

A Sr.ª boneca fez 56 anos e qual a melhor forma de celebrá-los do que com um decreto? Eu também adoro decretar coisas.

Para efeitos de análise e pela graça da coisa, vamos esquecer esse pequeno pormenor da Barbie ser toda ela o estereótipo da beleza inatingível e fisiologicamente impossível - feministas estou convosco! - e o perpetuar de all things plastic. Vá, e um bocado pimba também.

Concentremo-nos então nos saltos ou falta deles.

Desde que me recordo, foram uma paixão, apesar de não ter exemplos em casa. Usei-os a partir dos 15 anos e foram sempre subindo em altura. Nos meus 20, ninguém me via sem ser com um acrescento de pelo menos 15 cm aos meus 172. Aos 30 já fui alternando com alguns rasos, mas permanecia fã incondicional daquelas muitas obras de arte que fui colecionando.

E depois caí dos saltos aos 4 meses de gravidez. E depois fui mãe.

Nunca mais usei saltos. Essa foi a minha revolução. 

Nunca mais tive, de a meio da manhã, tirar os sapatos discretamente por baixo da secretária porque já não sentia os pés de tão gueixa que estava. Nunca mais tive de pensar que não poderia ir a qualquer sitio mais distante, porque "com estes sapatos não consigo". Nunca mais tive de ser malabarista Cardinalli nestas calçadas que nos matam. Nunca mais tive de pôr os pés em água ao chegar a casa a olhar fixamente para a sola, porque jurava que estavam ali labaredas. Nunca mais sofri horrores.

E a liberdade? O poder dar uma corridinha à galinha para apanhar o verde. O poder apressar o passo e ultrapassar 3 ou 4. E dar um pulinho de felicidade! Ai, a liberdade!

E ser mãe de saltos altos altíssimos? Gostava de poder dizer que as admiro. Mas não é verdade. Não as percebo.

Preciso de poder correr com a CLSM, saltar, baixar-me ao nível dela para lhe falar olhos nos olhos, sentar-me em todas as soleiras das portas que encontramos na rua. Preciso novamente de explorar o mundo.Não posso ser mãe só em casa já com as pantufas.

E podem as mães dizerem, que dizem, que conseguem fazer tudo mesmo nas alturas. Mas poupem-me. O equilíbrio, a leveza e a vontade não são os mesmos. Ponto.

E às vezes dou por mim a observar mulheres a tentar manter a classe e equilíbrio em travessias impossíveis e fico a pensar como é que um objeto de arte se transforma num objeto de tortura? E olho novamente e só vejo sinceramente o ridículo. Para quê se equilibrar naquilo?

Mas também quando deixei de fumar não conseguia perceber o ridículo de andar com um pau na mão e a queimar papel na boca. E agora voltei a perceber muito bem. São talvez perspetivas contextualizadas nas circunstâncias e no tempo.

Continuo a ter a minha coleção de saltos religiosamente guardada. Mas acho que agora não passam disso, artefactos religiosos.

Este dia nacional sem saltos foi, claro, patrocinado. A marca associada é a Cubanitas e o prémio do passatempo (sim, pelos vistos havia um passatempo) eram estes...botins/galochas?





Para andar com isto calçado? Preferia andar de saltos altos...

Beijo da Patinha *







3 comentários:

  1. Lol! Estava a estranhar a relação texto/imagem! As botas são péssimas, mas eu ainda assim preferia as botas!...
    Ps- adoro decretos!eu decreto estacionamentos! ;)

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