terça-feira, 19 de maio de 2015

O Monstro das Festinhas


A CLSM adora livros. 

E eu adoro que ela adore livros. 

Compro-lhe imensos, mas já aprendi que preciso de escolhê-los muito bem. 

Comprei-lhe livros de primeiras palavras tão maus, mas tão maus, que nem eu conseguia perceber o que raio era aquilo. Uma maçã - ou seria tomate - ao lado um avião? E a maça-tomate maior que o avião?

Há realmente uns livros péssimos. E há uns bons.

E depois há este. Que é maravilhoso!



O Monstro das Festinhas é perfeito. A personagem, a temática - principalmente para a Sarapica (nova alcunha) que adora abracinhos, como vos dizia aqui-, o texto simples, mas vibrante e cheio de vida e as ilustrações deliciosas. Coloridas, que até nem costuma ser a minha praia, mas que, por alguma razão, adoro.

E os nomes das personagens. Amo. Só nomes estranhos.

Ouvir a Maria do Carmo a dizer "Dona Quilina" (Dona Miquelina) e "Xinhô Poenxa" (Sr. Proença) mata-me de fofura.

O livro é da Carla Antunes e comprei-o na Fnac por 10€. Ainda por cima não muito caro.

É atualmente o livro preferido da CLSM e oficialmente um dos meus também.

A par com o Cem Anos de Solidão e o 1984.

Obviamente, fiel a mim própria, já andei à procura de todos os livros da autora. E vou comprar todos. Todos.


Mas isso leva-nos a outro problema. O espaço para guardar livros. 

Quando fiz o ninho da CLSM coloquei uma cesta de vimes pintada pela minha mãe, que foi forrada por uma costureira depois da minha mãe ter tentado 3 vezes e ter finalmente dito "ah, pó diabo com isto, eu pago e alguém faz".

Uma cesta giríssima, é verdade, mas que agora já nem levava metade dos livros. 

Entretanto falaram-me dumas prateleiras do Aki, que são maravilhosas. São giras, ocupam pouquíssimo espaço e dão imensa arrumação. Fiquei fã!

O resultado:






Agora para os que estão a pensar "mas o que raio é isto? Este blog agora também é de literatura e decoração?"

Sim, agora também é um blog de life style, que é como quem diz, do laife staile. 

Estou a pensar mudar o meu nome para Pipoca, a Maria do Carmo ser Carminho, eu vestir uns calções de ganga - que haveria de ficar maravilhoso nestes troncos-, vestir-lhe tudo o que ela tiver no vestuário que tenha laços, mais 2 laços na cabeça e tirar muitas fotos para publicar. 

Assim, ao pôr-do-sol.

Top.


Beijo da Patinha *







segunda-feira, 18 de maio de 2015

Do parque infantil ou da burrice tamanha






Eu gosto imenso de levar a CLSM ao parque infantil.

Ela adora andar nos baloiços - 2 minutos -, nos cavalinhos  -1 minuto, depois quer ir para o chão e mal chega ao chão quer ir para o cavalinho - nos túneis - quase que entra mas não entra, vai ver do outro lado e não, não entra mesmo nesta coisa que parece assim para o escuro  -  e no escorrega - desce uma vez e fica sentada a cantar e a palrar o resto do tempo.

Ela está feliz e eu feliz e descansada.

E mais vezes iríamos, não fosse a crassa estupidez humana.

Senão vejamos:

           
              No Inverno não podemos ir porque está frio e chuva;

              No Verão não podemos ir porque está muito Sol.


E o que se poderia fazer sobre isto? Hmmmmmm, deixa-me pensar.... 

Se ao menos houvesse alguma coisa na Natureza que fizesse sombra.... Ou se alguém tivesse inventado alguma coisa que servisse de cobertura fosse para proteger da chuva ou do frio...

Mas não, não há nada disso... 

Bem, então fica assim, A descoberto.

Será este o raciocínio?

A sério que me tira do sério!

Não há neste mundo uma alminha pensante que se lembre de colocar uma porcaria de uma pala tipo guarda-sol, construir uma espécie de proteção ou até mesmo plantar uma bendita árvore num parque infantil? Algo que ao menos faça sombra?

Será que ninguém na - com certeza - equipa multidisciplinar que concebe os parques infantis terá dois dedos de testa? 

Será que ninguém numa equipa que deve ser de pelo menos 10 pessoas - porque já se sabe que para se fazer uma coisa como deve de ser tem de ser feito por muita gente. Com muitos títulos - não tem filhos? 

Ah, têm? Mas então onde os levam a brincar às 3 da tarde?

Levam-nos ao parque infantil. 

Sim? A qual?

Ao do centro comercial. 

Porque tem sombra.

Ah!


Beijo da Patinha *



P.S. - Perguntaram-me há uns dias o que raio queria dizer CLSM (sim, ti Joge, tu!).
Provavelmente outras pessoas perguntarão o mesmo. Porque eu sei que passam imenso tempo a pensar em mim! A ler os textos e a sublinhar as partes mais importantes. Tipo horas!

A explicação do CLSM está algures num texto anterior, mas porque ninguém teria paciência de ir ler tudo à procura - nem eu, note-se - fica lavrado em ata que CLSM significa Coisa Linda de Sua Mãe.

É isso. Bem vindos à piroseira sem igual.

*



sexta-feira, 15 de maio de 2015

Aconteceu - Parte 2






Pensei que esperaria mais tempo.

Não estava preparada.

Às vezes menosprezamos as capacidades dos nossos filhos. 

Está uma pessoa a viver a sua vida normal, feliz da vida e muito longe de sequer imaginar que pudesse ser para já e toma lá que já almoçaste bacalhau com grão e ovo cozido.

Credo, o que falta. Ela só tem 21 meses. Nem 2 anos tem. Ainda tens muito para esperar...

Mas não. Desengana-te. 

Já aconteceu.

E foi maravilhoso e enternecedor. Fez-me chorar.

Nunca mais nada será igual.

A Maria do Carmo disse-me.

Queria dizer. Abriu a boca ficou preso na garganta.

Parou um bocadinho para pensar. Lembrou-se como era a palavra. E disse.

Seria normal que o dissesse. Digo-lhe tantas vezes. Mas nunca esperei ouvir.

Nunca pensei nisso. Deve ser isto que dizem que é amar sem esperar nada em troca. Puro altruísmo. Puro amor.

É verdade que demonstra todos os segundos de todos os dias.

Gestos. Abraços. Carícias.

Naquele olhar imenso, na forma que me olha como nunca ninguém me olhou. Com amor. Com admiração. Com necessidade. Com felicidade. Infinitos.

Mas eu sou uma mulher de palavras. Sou. As palavras atingem-me a alma.

Ela disse e fez-me a mãe mais feliz do mundo. 

A Maria do Carmo, quando cheguei, deu-me um abraço e disse-me:

        -Adoro-te!


Estou ainda a pairar.


Beijo da Patinha *

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Ai, a minha vida!


Pensei durante muito tempo que a CLSM não teria um objeto de transição.

Para quem não é progenitor, eu troco por miúdos. 

O objeto de transição ou transitivo é um objeto que ajuda a criança a lidar com situações novas, desconhecidas, de separação, medo ou angústia. Um conceito desenvolvido por Winicott (com a devida vénia, excelentíssimo maravilhoso!), que acredita que a criança vê neste objeto quase que o substituto da mãe.

Na prática é aquele trapo, boneco ou fralda já toda ranhosa e mais suja que o tempo que as crianças agarram como se não houvesse amanhã, levam para todo o lado que nem carapaça de tartaruga e que se calha a ser perdido - Deus nos livre e guarde - cai o Carmo e a Trindade. 

É isso.

A Maria do Carmo só lá por volta dos 11 meses é que, de entre tanta bonecada, se perdeu de amores por uma gatinha que lá andava. Uma coisa fofa e amorosa (mas quem és tu, pessoa que diz fofa e amorosa?!) de seu nome Daisy. 

Sim, se eu soubesse que essa seria a sua mais-que-tudo, teria escolhido outro nome. 

Foi um amor que nasceu do nada e verdadeiramente arrebatador.

A Daisy foi usada e abusada. Levou mais abraços que político em dia de vitória e mais beijos que bandeira em dia de procissão.

Aliás, olhava para a CLSM e lembrava-me de uma personagem de desenhos animados que adorava: a Elmyra dos Tiny Toons. Alguém se lembra? A que abraçava os animais com tanto amor que quase os sufocava? O que eu adorava esta criatura incompreendida:






E assim era a Maria do Carmo com a Daisy. 

Havia alturas que até ficava a pensar se aquilo não seria exagerado, se seria - odeio esta palavra - normal. Pois, eu penso em demasia.

É que, na verdade, apesar da Daisy ser a vítima preferencial, a minha pimpolha adorava - e adora - dar abracinhos e beijinhos aos seus bonecos todos. 


Aliás, a tudo. Não devem ser muitas as crianças que dão beijinhos a bolas e abraços a lápis de pau.

Mas se ela recebe muito mimo, muitos beijos, muitos abraços tem de dá-los também. E dá. Todos os dias. Aos pais, aos avós, aos tios, aos amigos e basicamente a tudo o que existe.

Se não é normal, é pelo menos normal para ela. Dela. 

Logo, para mim também.

E pronto, de repente a Daisy passou a fazer parte da família. 

Para onde fossemos, lá ia Daisy na minha mala "paxiá".

A bendita da "boneca/gata" - nome de código para podermos procurá-la sem se levantar um motim - só se perdeu temporariamente duas vezes. E em ambas as vezes, em abono da verdade, os pais ficaram mais aflitos que a filha.

Mas, não fosse o Diabo tecê-las, comprámos uma segunda Daisy que lhe oferecemos no Natal. A expressão de felicidade incrédula quando, com a sua Daisy na mão, abriu o presente e viu outra foi impagável. Olhava para uma e depois para outra que nem espetador de jogo de ténis.

Do topo dos seus 17 meses só dizia:

       - A Dé! Tanta, tanta! 

Depois disso a Daisy 2 ou Daisy estou-infinitivamente-mais-limpa-e-não-estou-descosida-em-parte-nenhuma ficou guardada no vestuário. Só para tranquilizar a mãe patinha e o pai galo.



Entretanto, aí por volta dos 20 meses, a paixão inicial começou a apagar-se. Se via a bicha era uma loucura de abraços, mas já não pedia por ela. Olhos que não vêem coração que não sente.

A coisa estava toda muito bem até a minha mãe ter tido a brilhante ideia de oferecer-lhe uma Minnie que vimos numa qualquer loja de brinquedos.

Foi amor à primeira vista. Ela abraçou-a e ainda na loja batizou-a, dando-lhe beijos:

                  - Minnie Ziganti

E sim, o estupor da Minnie é gigante. E gira que se farta. Mas gigante. 

Para que percebam a diferença, a Minnie - que está sentada, note-se - e a Daisy:







E agora que ela quer andar com a Minnie a reboque?

É que para eu levar a dita cuja na minha mala, tenho de passar a andar de mala de viagem.

Que já esteve mais longe, é verdade.

Estou tramada.

Obrigadinha, mãe. Sim?




Beijo da Patinha *



















segunda-feira, 11 de maio de 2015

Gotices da mãe!




Felizmente a minha CLSM herdou as imunidades da mãe.

Se bem que que parece que vai ter o massacre das alergias. Como o pai.

(E não, não pensem que eu acho que tudo o que é mau vem do pai.)

Mas de resto, sã como um pêro. Graças aos céus e arredores.

Teve febre uma vez e durou 24 horas.

Teve uma conjuntivite.

E esteve ligeiramente constipada durante uns 5 dias.

Recomendaram-me na altura umas gotas para desentupir o nariz com um nome de tal forma estrambólico que não decorava de maneira nenhuma.

Acabei por escrever no telemóvel e num papelinho. Quando cheguei à farmácia não tinha bateria no telemóvel. E tinha perdido o papelinho.

Mas que nem concurso de televisão, bastou-me abrir a boca para dizer neo.... que a farmacêutica completou....sinefrina.

Parece que é assim uma coisa conhecida. Tipo rock star dos medicamentos.

Cheguei então a casa, coloquei-lhe as gotas e funcionou maravilhosamente.

E a constipação entretanto passou.

Na semana passada, Maria do Carmo volta a ficar "compipada com ranino".

Ao segundo dia, achei que era melhor pôr-lhe novamente as gotas, porque só o soro não estava a funcionar.

Mas desta vez já as gotas não faziam o mesmo efeito.

Desanimada, enquanto administrava as gotas ao terceiro dia, comentei com o super gato que se calhar já estava a fazer habituação.

      - Mas que gotas são essas que estás a pôr?

     - Mas então estás parvo? As gotas do nariz, claro.

     -  Zaditen? Isto não é para o nariz!

      - Não?!

Momento de pânico! Ai mãezinha e meu senhor! Mas que raio de coisa é que lhe estou a deitar pelo nariz abaixo?

    - Onde está a bula?

    - Eu sei lá! No lixo, provavelmente!

     - Tu e a tua mania de deitar tudo no lixo!

     - Googla, googla! És tão antigo, caramba!

     - E então?

     - Está abrir...

O pânico quase instalado! Os dois mais tontos que baratas e ela calmamente a olhar para nós como se estivesse confortavelmente a assistir a uma fraquíssima comédia de situação no teatro do bairro.

       - Está aqui! Zaditen. Zaditen, Zaditen... é para a conjuntivite.

      - Ah!

Confusão mental momentânea.

      - E agora?

Pausa de não sei o que dizer.

       - Será grave?

      - Grave não será. Ao menos sabemos que não ela não vai ter conjuntivite nasal.
     
       - E vai ter um nariz a ver melhor que nunca!


Beijo da Patinha *


domingo, 10 de maio de 2015

Lamechices ou eu armada em poeta


Os raios de Sol a descobrir a pele que timidamente se desnuda, os pés descalços a redescobrir a relva quente.

Todos jogados, todos relaxados.

 As mesmas conversas. Mas sempre frescas. Com roupagens novas.

A casa de sempre, o berço de sempre.

E ela. A abrilhantar tudo.

A cena à Fellini - nunca vi, mas só pode existir - da família à porta a despedir-se. Todos à porta a acenar. Uma cena recorrente que hoje ficou presa na retina.

Tão feliz.

Com tantas razões hoje como em qualquer outro dia que abra a pestana. Mas hoje de pestana bem aberta.

Há dias maravilhosos.



Beijo da Patinha *

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Aconteceu!




Pensei que teria mais tempo.

Não estava preparada.

Às vezes tomamos as coisas por garantidas. Não as apreciamos devidamente. Não as conseguimos imaginar como finitas.

Está uma pessoa a viver a sua vida normal, feliz da vida e muito longe de sequer imaginar que pudesse ser para já e toma lá que já almoçaste arroz com polvo à lagareiro. 

Credo, o que falta. Ela só tem 21 meses. Nem 2 anos tem. Ainda tens muito para aproveitar...

Mas não. Desengana-te. É mentira.

Já aconteceu.

Não há volta a dar.

Nunca mais nada será igual.

A Maria do Carmo virou-se para mim e disse.

Eu sabia que ela iria dizer. Toda a gente me diz. Tinha de acontecer. Era uma inevitabilidade.

Só não esperava que fosse já.

Mas já aconteceu.

A Maria do Carmo virou-se para mim e disse. Disse não, pediu. Quase suplicou:

        -A mamã não canta!


E pronto, já está dito.

Mãe sofre.


Beijo da Patinha *

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Mãe kung-fu




Nunca pensei ser esse tipo de mãe.

Mas parece que sou. E na verdade, se pensar um bocadinho, sem surpresas.

A CLSM, como não anda na creche, convive com filhos de amigos, com os colegas do Gymboree  - eu sei que está prometido o relatório sarcástico - e com todas as crianças que ela encontre na rua ou onde quer que seja. Onde está uma criança, está a Maria do Carmo. 

Mas este tipo de convivência faz com que não esteja claramente habituada a coisas típicas destas idades. 

Já vos contei aqui que quando lhe tiram brinquedos, ela diz "obrigada". Não existe...

Mas já tem vindo a acontecer que lhe dêem empurrões. Que lhe saltem em cima para tirar a chucha. Que lhe tirem bolas.

E nesses momentos, ela olha para mim baralhada. Acho que é essa a palavra. Ela sorri, mas um sorrir de vou-sorrir-porque-não-sei-bem-o-que-faça-e-com-um-sorriso-tal-como-com-um-vestidinho-preto-nunca-me-comprometo.

É um sorrir que me parte um bocadinho o coração. De tão desorientado.

Até que uma amiga, também mãe e educadora de infância, ainda para mais, fez um comentário a propósito que não poderia ser mais certeiro. Eu comentava com ela que a Maria do Carmo não sabia reagir.

       - Claro que não. Nunca na vida dela, desde que nasceu, alguém lhe fez mal.

E sim, é isso. Ela não sabe como reagir porque é novo.

E se está desorientada, cabe-me a mim guiá-la. 

Então explico-lhe que o menino está a brincar e entusiasmou-se, empurrando-a sem querer. Que são coisas que acontecem. E ao menino explico, com um sorriso e com uma carícia, que ela é mais pequenina e que ele tem de ter mais cuidado. E eles percebem e tudo corre bem.

Então explico-lhe que a bebé ainda é pequenina e adora chuchas, mas como ainda não sabe falar para pedir, tenta agarrar a dela . E vou buscar a chucha da bebé mais pequena à mãe e aproveito para dizer à CLSM que ela já é uma menina e até já não precisa da chucha. Ela dá-me. Não pichija. E tudo corre bem.

Então explico-lhes que todas as crianças gostam de bolas, mas que é muito mais giro brincar a dois do que só. E elas jogam juntas. E tudo corre bem.

E então explico que a menina de 4 anos ainda não sabe que deveria dar a volta e não empurrar para passar primeiro. Mas que a mamã lhe vai explicar, visto os pais da criatura estarem  convenientemente desaparecidos.

E a mamã explica à criança de 4 anos, com um sorriso e com uma carícia. A criança volta a empurrar para passar. E a mamã explica-lhe com um sorriso. A criança volta a empurrar para passar. E a mamã, olhando nos olhos, com ar sério, explica melhor. A criança volta a empurrar para passar.

E a criança cai no chão. Misteriosamente.

Hora de outra lição de vida importante, meu amor. 

Karma is a bitch. 

E a mamã também.


Beijo da Patinha *



quarta-feira, 6 de maio de 2015

Volto



Volto a ti a medo.

Estive ausente. Deixei-te. Não te disse nada.

Não sei bem o que te diga. Estou meio sem jeito. Queres que te peça desculpa?

Mas pensei em ti. A sério que pensei. Contei-te tantas coisas, mas não tas escrevi.

E senti-me culpada. Como se estivesses constantemente à espera de pelo menos um olá. E eu estivesse sempre a falhar-te.

É um problema meu esta coisa, este peso constante da culpa.

Mas se for para sermos corretos, a verdade é que te avisei. Logo no primeiro texto que te escrevi. Avisei-te que era mulher de paixões. Que vêm e vão.

Pensei nisso, mas não me fez sentir melhor.

Depois pensei que disse ao mundo que eras um blogue pessoal. Então tens de ser como eu. Cheio a transbordar. E oco vazio. Sucessivamente. Simultaneamente.

Mas na verdade é isso que me incomoda. A inconstância.

E quando digo, admito, reconheço as minhas paixões temporárias, digo com graça, mas com a secreta esperança de ser diferente dessa vez.

De descobrir uma paixão que se seja para sempre.

De saber nadar verdadeiramente, em vez de chapinhar.

De acabar a faixa pavorosa de ponto cruz com golfinhos para coser na toalha que felizmente não comprei.

De acabar a segunda risca do tapete de esmirna.

De acabar de escrever a peça de teatro que tem 10 páginas há 10 anos.

De justificar condignamente ter um piano e frequentar aulas de piano. Sem passar por tocar os "parabéns". Como qualquer pessoa que tenha acesso ao youtube.

De conseguir concretizar uma ideia genial sem que alguém o faça primeiro.

De conseguir manter um plano de exercícios. Foram 3 anos a fazer desporto todos os dias, seguidos de 3 anos a conscientemente evitar fazer desporto em dia algum.

De saber fazer 2 quadrados no Illustrator como fiz no workshop. Nem precisam de ser de cores diferentes. Já me contento se tiverem 4 lados. Iguais.

De ter uma gaveta de projetos com 3 vestidos. Mas todos com saia.

De fazer as coisas até ao fim. De ser persistente. Constante. Coerente.

E encolho-me quando passo pelo ginásio. E não vejo o piano no corredor. E tapei a máquina de fazer bainhas.

Ao menos consolo-me por ser constante com as minhas pessoas.

            - Não com todas e infelizmente com cada vez menos.

Ao menos consolo-me por ser coerente nas atitudes e posturas.

             - Apesar de haver dias que VIVO (agora quase todos os dias) e outros em que sobrevivo.

Fraco consolo este.


E era isto, meu querido. Desculpa-me o tom distante e formal e as filosofias baratas de livraria de aeroporto. Quando me dá para isto, ninguém aguenta a pose de escritora.

Já te disse que vou fazer um curso de escrita criativa?

É desta que descubro a minha verdadeira paixão!

Eu sinto que sim.

Sinto com alma de artesã, resistência de nadadora desportista e dedos de pianista.


Beijo da Patinha *


Pronto, para o futuro vale esta desculpa. Nunca mais teremos esta conversa. Posso escrever-te 3 vezes num dia ou passar 3 semanas sem dizer "ai". É assim a vida. Amanha-te!





quinta-feira, 23 de abril de 2015

Não se pode!...

Adoro quando as pessoas dizem "literalmente" a torto e a direito. Pérolas:


             - Ele é literalmente gigante.

Subiste ao pé de feijão, foi?


            - Ela é literalmente a melhor pessoa do mundo.

Sim? E os outros 7 mil milhões conheceste onde?


              - Ele é burro! Literalmente!

Ah, sim? E zurra?


E a minha favorita

     
            -  Eu morri de susto. Literalmente.

E um dicionário no meio da tola, não? Literalmente!





Beijo da Patinha *

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Drama queen



É uma sensação agridoce quando, ao perguntarmos à nossa filha de 20 meses que está com ar de poucos amigos

                 - Estás aborrecida, amor?

ela, jogando-se para o sofá, responde:

                  - Co'a vida!


E eu pergunto-me a quem poderá ela ter ido buscar esta veia dramática?

Ao pai.

Só pode...


Beijo da Patinha *

terça-feira, 21 de abril de 2015

O caso de espremer as mamas!





Teria de inevitavelmente falar sobre isto, já se sabe.

E desta vez até consegui que fosse passados  2 dias após a notícia inicial. E, claro, após já toda a gente neste Reino (estou ainda em modo Guerra dos Tronos) ter opinado sobre isso.  

Mas até não está mal. Geralmente ponho todas as minhas opiniões, peso os prós e contras e concluo brilhantemente em textos que escrevo mentalmente. E aí ficam. A coleção de textos mentais que tenho faria inveja até à biblioteca paroquial do Sever do Vouga.

Mas hoje consegui. Cá vai.

Ao que parece estes senhores de dois hospitais do Porto decidiram inventar uma coisa genial a que poderiam ter chamado de prova física de amamentação.

Eu chamar-lhe-ia uma vergonha.

Enquanto jurista não vou trazer nada de novo à colação, porque tudo já se disse e explicou. É até muito simples o procedimento a adotar, sem dar azo a grandes  interpretações. E a simplicidade e clareza nestas coisas é tão rara que há de enaltecer. A ver se pega a moda...

Em suma, depois do filho perfazer 1 ano de idade, a mãe trabalhadora que amamenta continua a ter na sua esfera jurídica o direito a dispensa para amamentação até o máximo de duas horas por dia - em dois períodos distintos, salvo acordo em contrário- , enquanto subsistir a amamentação. A prova é feita mediante entrega de atestado médico à entidade empregadora.

Em momento ou lado algum se prevê que a prova passe por espremer mamas.

É claro que se trata de um procedimento lesivo, abusivo e atentatório dos direitos humanos (e não dos redutores direitos das mulheres).

Enquanto pessoa, mulher e mãe acho mais. Acho vergonhoso.

Eu amamentei a CLSM até aos 8 meses. Adorei amamentar. Cada momento.

Mesmo quando passava 8 em 24 horas do meu dia com a piquena na mama.

Também ajudou ter corrido tudo bem desde que ela  sofregamente abocanhou. Não tive problemas com a subida (ou descida) do leite, com feridas ou gretas - tinha um creme maravilhoso e curava tudo com leite da própria mama. Ela e(ra) uma comilona e fui de facto muito feliz a amamentar. Arrisco a dizer que fomos.

Antes de ela nascer, como não sabia como reagiria à amamentação frente a outras pessoas, comprei um avental de amamentação. Usei uma vez. Bastou. Só me parecia uma mini-burka a esconder a origem de todo o Mal, a mulher e a mama. E quase que a perdia ali debaixo.

Percebi logo que frente a familiares e amigos não tinha qualquer problema em sacar da mama e pimba que já almoçaste. Em sítios publicos, não exibia, mas não escondia. Sinceramente, já era tão natural que por vezes até me esquecia. Se houvesse algum sítio específico para amamentar usava, se não houvesse escolhia o sítio mais calmo possível. 

Nunca fui uma pessoa pudica, Deus sabe, mas na verdade nem se tratou disso. Amamentar foi-me tão natural e instintivo que passou a fazer parte de mim.

Mas quando li a notícia dei por mim a imaginar-me na situação destas mulheres. Imaginei-me frente a um painel de médicos e enfermeiras que me pediam para espremer as mamas. A ver se saia leite. Assim. 

Não concebo. Acho tão humilhante e degradante que é inqualificável.

E isto sem falar das questões mais práticas.

No último mês que amamentei já tinha pouco leite e só lhe dava de mamar à noite, quando tinha mais leite. Não sei se conseguiria tirar leite de manhã, por exemplo.

Além disso a ansiedade também pode contribuir para a diminuição ou retenção do leite. E não, isto não é história de hippie de Woodstock ou hipster do Coachella que só come orgânico. Fiquei um dia inteiro sem pinga de leite depois de uma notícia que me deram.

Por todas estas razões e mais alguma parece-me tudo isto deplorável.

Agora, há aqui um senão. Um grande senão.

Estas duas mulheres fizeram as queixas. Mas e as outras? Quantas negaram fazer o teste não por uma questão de princípio - perfeitamente defensável -, mas porque não estão de facto a amamentar?

Quantas mulheres apresentam declarações médicas que atestam o que é falso?

Lembro-me de ter várias conversas com mães que me diziam que iam fazê-lo. Sem pena nem remorsos. Que eu era tonta por não fazer o mesmo (Já repararam que este é o argumento preferido de quem conscientemente erra, mas não o quer fazer só?).

Não o fiz nem faria. A mentira é uma cor que não combina com a minha pele. Não saberia viver com isso. Pode parecer um dos meus típicos dramatismos ou um olha-para-ela-armada-em-santa-perfeita-que não-mente-hás-de-ir-para-o-céu-queres-ver. Mas é o que temos.

Se me incomoda a situação dos falsos atestados? Não deveria. Mas incomoda.

Eu optei por trabalhar só cinco horas por dia e às 14 horas saio de vez para ir ter com a minha filha. 

É maravilhoso e não trocava por nada. 

Mas quando vejo o meu recibo de salário sinto sempre uma dor de burra nas entranhas. A redução é grande e só o consigo fazer com alguma ginástica financeira e abdicando de muita coisa boa. O supérfluo, que é sempre o melhor, é agora uma doce mas turva recordação que nem estou certa que aconteceu.

Mas não me queixo. Foi uma escolha.

Mas poderia ter exatamente o mesmo horário que tenho atualmente - que foi o que pratiquei também no período da aleitação/amamentação - e receber o salário por inteiro. Bastava apresentar um atestado como tantas mães com as mamas mais secas que eu fazem.

Não me parece justo. E o procedimento simples acaba por criar desequilíbrios e assimetrias.

Por culpa de quem mente. Sim, mentem. As mães e o médicos. 

Os médicos é que deveriam ser responsabilizados pelas falsas declarações, como li algures. Correto. Concordo. 

Mas como, já agora? Ora se a mulher não pode - nem deve - ser obrigada a espremer a mama, nunca se vai saber se amamenta ou não. Logo, nunca se vai saber se o médico agiu em conluio com a paciente no sentido de defraudar a entidade empregadora.

É uma pescadinha de rabo na boca, é o que é.

Mas tinha uma solução muito simples para acabar com tudo isto.

As mães que optassem por ficar em casa nos três primeiros anos dos filhos receberiam 50% do seu salário e as que optassem por, nesse mesmo tempo, trabalhar a meio tempo, receberiam o seu salário por inteiro.

Ah, mas a Segurança Social não aguenta esse esforço. E sem natalidade, sem contribuintes daqui a 30 anos vai aguentar-se? 

Uma solução do género é essencial e só não vê quem não quer ver. Ou pagar.

E não nos faziam favor nenhum.


Beijo da Patinha *

O balão do João




Há uns dias estávamos, eu e a Maria do Carmo, a andar de carro - a nossa disco sobre rodas - e começou a dar o "balão do João".

Ela adora esta música e já canta a maior parte dela sozinha. Mas nesse dia, por alguma razão misteriosa à Area 51, mal cantou que o balão ia a voar pelo ar, faz uma pausa dramática como que a assimilar a origem do Universo.

       - Ohhh, o bauão. A voá. Tadio Zoão. A choá.

Pensei cá para os meus botões pensantes que era uma bela oportunidade para ensinar que, às vezes, coisas más acontecem, do tipo shit happens. Mesmo que não se componham como se quer. O importante mesmo é saber lidar com elas. 

       - Pois foi, amor. O vento soprou e o balão voou, O João ficou triste, mas depois pensou em tantas outras coisas boas que tem, a mamã deu-lhe um beijinho e ele ficou bem. 

      - Ohhh, o bauão. A voá. Tadio Zoão. A choá.

      - Foi, amor. Às vezes acontece, mas logo passa. Há coisas que não se podem controlar. Mas o João foi brincar e ficou mais feliz. Deixou de chorar.

      - Ohhh, o bauão. A voá. Tadio Zoão. A choá.

E trezentas vezes - foram, não contei mas foram- ouvi eu ohhh, o bauão. A voá. Tadio Zoão. A choá.

E cada vez que ouvia a paciência sumia-se mais um bocadinho. A resposta diminuía proporcionalmente. A última vez já só me saiu um "é".

E cada vez que ela dizia só pensava não, não vou dizer, vou resistir, não vou dizer.


Trecentésima primeira vez:

       - Ohhh, o bauão. A voá. Tadio Zoão. A choá.

Não aguento! Tenho de acabar com isto! Já não posso! Vou dizer e que se lixe:

       - E depois a mamã do João comprou-lhe outro balão. Pronto.

      
Silêncio. Avé!



E trezentas vezes ouvi eu:

      - Outo bauão! A mamã Zoão outo bauão!


Maldito João.


Beijo da Patinha *

      


    

      

      

domingo, 19 de abril de 2015

Eu, a super mãe maravilha!

Adoro dar banho à CLSM.

Entre jogos e cantorias são muitos raras as vezes que não dou pelo menos cinco boas gargalhadas. Daquelas que vêm da alma.

Um dos passos da nossa coreografia mais que ensaiada implica ela pôr-se de pé na banheira. É assim desde que se consegue equilibrar. Eu primeiro ajudava-a a levantar-se e com o tempo passou obviamente a fazê-lo só. Sempre funcionou maravilhosamente. Até há cerca de duas semanas.

Um belo dia decidiu pôr-se de cócoras agarrada à banheira e não havia forma de se pôr em pé. E com aquele brilho risonho de desafio no olhar. Que como ela ainda não lê o blog (que eu saiba!), posso confessar que adoro. Sabem qual é? O que eu gosto daquele olhar. E o que eu gosto de um bom desafio!

É preciso que se diga que a CLSM tem uma personalidade forte e já está ali à beirinha dos terrible two . Para quem não sabe ou tem a sorte de ainda não ter lá chegado, parece que a partir dos dois anos de idade os nossos doces amargam. Passam de prazo. Por artes maléficas, com certeza, transfiguram-se e viram o Hulk em mini. Talvez  menos esverdeado. Será assim algo como o Apocalipse, mas menos ligeiro.

Apesar disso, sinto que até agora - bate na madeira para aí umas novecentas vezes - tenho como que o jackpot da boa índole em casa. Não há nada que não lhe passe ou não entenda com uma boa explicação. Vou bater na madeira mais três vezes. Pelo sim pelo não.

Avancei então confiante e expliquei-lhe que tinha de ser pôr em pé e porquê. Não funcionou. 

Pára tudo. Mas como não funcionou? Não.

A muito custo lá acabou por pôr-se em pé. Com uma assistência forçada da mamã.

Dia seguinte a mesma história. Nova tática, porque a mamã aqui teve a assistir vídeos da equipa contrária. Apelar ao seu lado empático gigante. 

                             - A mamã não te pode levantar, amor, porque tem uma grande dor nas costas e piora ao fazer força. 

                             - Oh, (coi)tadia mamã. 

E faz-me uma festinha com aquele sorriso. Mais nada. Sempre de cócoras. 

Um fervilhar cá por dentro, Mais uma assistência forçada. 

Terceiro dia. O mesmo. Combinação de táticas e entrada de ponta de lança. Explicação, seguida de apelo descarado à empatia. O remate: ar autoritário e cara de quem não comeu pequeno-almoço. A custo lá se levantou.

Não me satisfez.

Mas então ao quarto dia fez -se luz. 

Maria do Carmo de cócoras. Brilho intenso de desafio no olhar. O suspense e a expetativa no ar. Quase palpáveis. 

Era eu a jogar. 
         
           Tom e postura absolutamente condescendentes:
          
                               - Oh, amor. isso assim é de cócoras. A bebé ainda não sabe o que é pôr-se de pé? Não faz mal...

Levantou-se num relâmpago. 

Vitóooooooria!! 

A necessidade de mostrar que sabe foi superior à natural necessidade de desafiar.

Senti-me Sun Tzu a explorar as fraquezas do inimigo e regozijei-me interiormente. Com direito a serpentinas.





Este foi então o texto que escrevi na minha cabeça. E assim seria o texto se o tivesse escrito. Na semana passada. 

Cheia de mim própria, pensei, olha que truque tão engraçado. Vou partilhar no blogue a ver se funciona com mais alguém. 

Sou maravilhosa eu....


Como nunca escrevo nada a tempo lá terá de ficar a adenda.

Afinal não sou maravilhosa eu....

É que a coisa funcionou. Três dias.

O que é que eu tenho agora? 

Maria do Carmo de cócoras, com o ar mais sarcástico possível - nem sabia que tanto sarcasmo poderia caber numa embalagem tão pequena - a sorrir para mim, enquanto diz:

          - Ixo é de Cócoas. Ooooooh, a bebé não xabe...


Já vos disse que amo a minha filha de paixão?






Beijo da Patinha *




       


sábado, 18 de abril de 2015

Abram alas!



A Maria do Carmo hoje acordou com um speed, uma maluqueira e uma tal necessidade de praticar o salto em comprimento para as próximas Olimpíadas (apesar de ainda quase mal conseguir levantar os dois pés ao mesmo tempo!), que começo a ter sérias dúvidas se o pó branco era mesmo leite...

Beijo da Patinha *